O Brasil precisa investir na dramaturgia de musicais, diz diretor Zé Henrique de Paula

Por Maria Luísa Barsanelli

O sucesso de “Urinal” (2015), diz o diretor Zé Henrique de Paula, do Núcleo Experimental de Teatro, foi um marco. O grupo, que já era conhecido pelo trabalho de canto e voz, ganhou destaque entre musicais com a sátira política. “Vimos que não existem só produções milionárias na seara dos musicais.”

Agora, o diretor prepara uma adaptação musical da novela “Carrossel”, que estreia em 20/1, e um musical original com sua companhia.

O Núcleo Experimental continua a investir em musicais?
Ainda no primeiro semestre o Núcleo vai estrear “Lembro Todo Dia de Você”, um musical original, inédito, sobre como é um jovem soropositivo na São Paulo do século 21.

Por que um musical original?
A cena do musical foi crescendo, os atores foram se preparando, mas ainda falta os dramaturgos se aventurarem por essa praia. Eu acho que é necessário fazer esse investimento, que é arriscado e ousado. É um pulo no escuro.

E como está sendo a adaptação de “Carrossel”?
Fui convidado pela produção e chamei a Fernanda Maia [com quem ele divide a direção] para escrever o texto. Ela assistiu muito à novela e criou um roteiro original com os personagens. Ficamos na dúvida se seriam músicas novas.

Mas, nas audições, percebemos a conexão das crianças com as músicas da novela. Então optamos por usar boa parte do repertório da novela e uma ou duas músicas do filme, quando os personagens já estavam mais adolescentes.

E o trabalho com as crianças?
São 13 os personagens infantis e 26 crianças [elas precisam se alternar entre as sessões]. É um trabalho exaustivo, porque elas têm muita energia, embora sejam absolutamente dedicadas —e essa empolgação vem também do fato de que assistiram à novela.

Tudo temos que ensaiar duas vezes. Elas ficam chateadas se fizermos com um grupo e não com o outro. E são realmente alternantes, não existe um principal. Por isso, os nomes dos elencos [em vez de 1 e 2, A e B] são Jujuba e Pipoca.

Você também trabalha com atores jovens em uma versão de ‘Romeu e Julieta’. Como é?
É uma proposta de fazer Shakespeare para jovens e com jovens. E lidar com esse hiato que há quando o jovem termina a escola de teatro e não sabe o que fazer. Fizemos oficinas com eles. Um trabalho prolongado, de pesquisa.

Também irá dirigir “Um Panorama Visto da Ponte”, de Arthur Miller, com Sergio Mamberti e Rodrigo Lombardi?
Foi um convite do Rodrigo, que queria muito fazer esse texto. O projeto ainda está em captação, mas a ideia é estrear no segundo semestre.