Heliópolis recebe segunda edição de mostra de teatro

Por Maria Luísa Barsanelli

GUSTAVO FIORATTI

No ano passado, a Cia. de Teatro Heliópolis, um dos grupos mais atuantes na periferia paulistana, levantou com edital público R$ 50 mil para a 1ª Mostra de Teatro Heliópolis. Segundo a produção, 20 espetáculos atraíram cerca de 2.500 pessoas para ruas e pontos culturais da região.

Neste ano, previu-se R$ 35 mil para a segunda edição, mas o grupo não teve êxito: arrecadou apenas R$ 950 por crowdfunding. O festival vai acontecer mesmo assim: começa nesta sexta-feira (30) e vai até domingo (2), com espetáculos gratuitos em centros culturais e lugares públicos. A Companhia do Miolo e o Coletivo Negro estão na programação. A grade da mostra, que tem curadoria de Alexandre Mate, pode ser vista no site www.ciadeteatroheliopolis.com.br/mostra.

Com a drástica redução de recursos, o evento teve que abrir mão do sistema de vãs que buscava espectadores no metrô. O jeito foi inventar um disque-carona. Quem tiver interesse, pode ligar para (11) 2060-0318. O ponto de encontro é na estação Sacomã.

Presa no porão Uma mulher quis deixar o espetáculo, “Diálogos de Salomé com São João Batista”, que acontece no porão do teatro Sérgio Cardoso, antes do fim, mas não encontrava a saída.

Um absurdo Segundo o diretor Sergio Ferrara, o que incomodou a espectadora foi a nudez de um ator. Enquanto procurava a saída, diz o diretor, ela resmungava e falava em voz alta: é um absurdo!.

Bienal A mostra no prédio do Ibirapuera tem em sua programação a peça “Coração do Espantalho”, apresentada por Naufus Ramírez-Figueroa (Guatemala). Gratuita, ela é encenada às 15h dos sábados.

Com parceria de artesãos, diretor do espetáculo criou vestuários e adereços para os personagens: uma oligarca, um ditador, um soldado
Com parceria de artesãos, diretor do espetáculo criou vestuários e adereços para os personagens: uma oligarca, um ditador, um soldado (Leo Eloy/Estúdio Garagem/Fundação Bienal de SP)

Pequeno ato

 

Merde.
Isto é o Brasil, estes são os brasileiros:
incompetentes, indolentes, dissimulados, impontuais…
Incapazes, todos vocês, de se comportarem como homens honrados.
Um país de merde, habitado por uma gente de merde.
Merde alors!
É por isso que esta selva nunca se tornará uma civilização:
são,
e sempre serão,
macacos.
Me leve de volta ao Palace Hotel!
Quero espairecer um pouquinho, aproveitar o que os trópicos tem de melhor:
um passeio de barco,
caçar capivaras no alto da serra…

Trecho de “Leite Derramado”, adaptação de Roberto Alvim para livro de Chico Buarque; estreia em 14/10 no Sesc Consolação